A Evolução da Engenharia de Software
Introdução
Nos últimos anos tem se observado uma crescente movimentação no mercado em torno do modelo de desenvolvimento denominado Fábrica de Software. Esse modelo tem uma grande característica que é o uso de técnicas utilizadas na engenharia industrial de produção em série, para a criação de um ambiente produtivo de desenvolvimento de software com qualidade e baixo custo.
Esse modelo de desenvolvimento não é novo, surgiu na década de 60, mas só agora começa a ser intensivamente utilizado pelas empresas de desenvolvimento de software.
Os avanços da engenharia de software nos últimos anos e as mudanças ocorridas nos processos de desenvolvimento de sistemas, como o software livre e o surgimento de padrões abertos para desenvolvimento corporativo, fizeram surgir um novo modelo de fábrica de software no mercado. As novas facilidades tornaram possíveis que empresas de médio e até de pequeno porte, pudessem montar suas fábricas de software para prestar serviços de desenvolvimento de sistemas crescente terceirização do mercado, resultando numa proliferação deste novo modelo de fábrica pelo mundo.
Evolução
Empresas em todo mundo estão percebendo que o desenvolvimento de software é uma atividade bastante especializada para ser absorvida e custeada internamente. Desta forma é crescente o número de terceirização na área de informática, especialmente na área de desenvolvimento de software.
Juntamente com esta crescente demanda por terceirização, cresce também o nível de exigência do mercado em termos de qualidade e custo do software. Como resultado, empresas estão investindo em ferramentas de automação, enquanto trabalhos de pesquisas em novos paradigmas de implementação, como orientação a aspectos, estão obtendo resultados significativos.
Algumas destas pesquisas já possuem resultados práticos, como o AspectJ, uma extensão da linguagem Java para o paradigma orientado a aspectos desenvolvida pelos Institutos de Pesquisa da Xerox. Com a evolução e amadurecimento da orientação a aspectos, será possível desenvolver software de forma mais consistente, abordando de uma única vez importantes aspectos não-funcionais do sistema, que poderão ser reutilizados em várias demandas da fábrica, eliminando desta forma o retrabalho e a replicação de código.
Segundo Jack Greenfield, importante arquiteto de software da Microsoft, “os métodos e práticas de desenvolvimento de software terão que mudar radicalmente… A solução deve envolver a modificação dos nossos métodos e práticas. Devemos encontrar formas de tornar os desenvolvedores muito mais produtivos".
A Microsoft está desenvolvendo uma nova arquitetura de desenvolvimento de sistemas denominada “Software Facotories" (Fábricas de Software).
Segunda a própria Microsoft será uma arquitetura revolucionária, que elevará bastante os níveis de reutilização de software, através de conceitos como o de linhas de produção de software, onde componentes poderão ser montados, configurados e empacotados, resultando num produto final completo. O desenvolvedor se preocupará apenas em customizar os aspectos altamente especializados e específicos do projeto.
Um outro tópico que será um diferencial no futuro são os significativos avanços das ferramentas case nos últimos anos, que permitirá a visualização e controle de todas as fases de desenvolvimento do sistema em uma única ferramenta. Atualmente o nível de integração entre todos os artefatos das várias fases do projeto é alto, mas não permite uma automação e rastreabilidade de todos os pontos do sistema. Porém num futuro próximo, com a evolução dos processos de software e das tecnologias de construção de ferramentas case, se espera abranger todo o sistema, desde a geração do código partir dos artefatos de análise e projeto até a automação na realização dos testes.
Com a constante evolução da engenharia de software e das tecnologias envolvidas no desenvolvimento de sistemas, as fábricas de software poderão vir a ser uma realidade cada vez mais presente no mercado e se tornando cada vez mais efetivas dentro de seu objetivo de produzir software de qualidade em pouco tempo e com baixo custo. Como resultado, espera-se em todo mercado mundial um crescimento ainda maior na adoção do modelo de fábricas de software para o desenvolvimento de sistemas.
Conclusão
Como pode-se observar a engenharia de software está sempre evoluindo. Novos paradigmas, linguagens, ambientes surgem a cada dia, buscando aumentar a produtividade e qualidade no desenvolvimento de software. Sistemas que levavam dois anos para serem codificados hoje em dia podem ser feitos em meses.
O profissional ligado a área de desenvolvimento de software deve ficar atento a esses novos paradigmas, pois se não o fizer, correrá o risco de tornar-se obsoleto.
3 Comentários
Aqui no Japão esse conceito de Fábrica de Softwares é largamente utilizado, na prática, pelas empresas de desenvolvimento de software (Em geral, um conceito herdado das milhares de fábricas que o país possui em automóveis, eletrônicos, comida etc). As empresas de desenvolvimento possuem centenas de programadores, e cada um é responsável por desenvolver apenas uma parte do aplicativo, sempre de modo repetitivo. Para quem estiver estudando sobre este assunto ou quiser mais informações, recomendo o intercâmbio com empresas de desenvolvimento de software e de games japonesas, já que o estilo ocidental de desenvolvimento de softwares é totalmente diferente. Esse sistema de Fábrica de Software já é implementado e usado no Japão, e funciona.
Esse sistema só peca pelo fato de tirar a criatividade da mão dos programadores, transformando-os em apertadores de parafusos. A empresa ganha em produtividade, mas perde em inovação. Que é justamente um dos pontos fortes de se utilizar um software.
Nesse sistema a inovação não é feita pelos programadores, mas pelos projetistas. Esse sistema requer projetos sofisticados, tanto de produto como de gerenciamento de pessoal. Além do produto, o fator complicante é que é preciso criar um sistema de gerenciamento e de distribuição de tarefas, que muitas vezes pode ser mais complicado que o próprio projeto do produto. É um processo mais complicado onde o pessoal, que está acima dos programadores, precisa conversar muito e se entender e exige muito trabalho em equipe. O pessoa responsável pelo gerenciamento e projeto precisa ser bom tecnicamente e não apenas gerenciadores de recursos humanos. Aqui no Japão posso afirmar que tudo isso funciona.